segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Cardana, parabéns

Adio a minha ressureição por aqui como quem se prepara para começar a dieta. Mas hoje senti o chamamento - Cardana, o único torrense que não admite o artigo definido antes do nome, faz anos. "Google do Oeste" como eu gosto de lhe chamar baixinho, foi o primeiro a animar-se com as minhas masturbações no teclado e essa imagem é tão horrivel de imaginar quanto simpática.
Deixei de escrever porque o Brasil e São Paulo deixaram de ser uma aventura a cada dobrar de esquina, para ser uma rotina, incrivel, mas até as rotinas incríveis amolecem um tipo. "Aqui já não sou somente um distante contacto esquecido no facebook", pedindo as palavras emprestadas a A. Cruz, porque o que mexe com este país é o Orkut. Sou sim um português sem pressa para nada, no meio de vinte milhões de pessoas a correrem para o trabalho ou a dormirem em cima de um cartão, de quem todo o mundo se ri desde o dia em que lhes trouxemos as piadas de alentejanos e eles as adaptaram para todo o português. Um dia o português salta de avião com a mochila de primeiros-socorros, no outro constrói casas redondas para não mijar nos cantos.
Não é facil viver num país que chama àquela história da menininha perseguida por um lobo enquanto leva bolinhos à avó, de O Chapéuzinho Vermelho; ou onde o tigre amigo do Calvin se chama Heroldo porque dizer Hobbes arranha a garganta (isto entre pessoas que se chamam Janclô, porque o pai adorava o Van Damme, ou Valdisnei em honra à Walt Disney, é meio esquisito). E somos gozados por construir casas redondas. Parece que nunca lhes deu a vontade de fazer chichi enquanto estavam bêbedos.

Mas passou muito tempo e não vou falar de tudo ao mesmo tempo. Hoje falo das melhores coisas que me lembro, amanhã das coisas assim-assim e depois do Dengue que me vai deixar aqui numa valeta.
Sem dúvida que o que vivi de mais inolbidábel neste últimos tempos (perdoem-me os gramáticos, mas esta palavra só funciona com sótaque da ribeira) foi uma paixão goiana, claramente mais quente e exótica que qualquer merda platónica; e um hino de portugal tocado a solo de guitarra no meio de um churrasco com emigrantes portugueses. Melhor que uma sardinha a desfazer-se na braza entre uma maminha de boi e uma meia lua de picanha, só isso tudo mais uma guitarra distorcida a guinchar "levantai hoje de novo", como se o Zé Cabeleira tivesse chegado de surpresa àquele aniversário em Osasco. Chorei por dentro, mas agora não sei se não foi a gordura da sardinha a escorrer e eu era uma broa de milho.

Não temo em acreditar que este último parágrafo será a melhor posta de poesia emigrante que alguma vez escreverei na vida, porque afinal também sou "um natural de Torres Vedras [que] se constrói, se destrói - obrigado A. por me ajudares nas partes intimistas. E o que me tem realmente absorvido nos ultimos tempos são os joguinhos do macaco a comer bananas o mais rápido possível para ganhar ringtones contra o outro macaco, ou o tipo alterofilista, ou o já velhinho RPG para acertar em 5 telemóveis em 30segundos e ganhar acesso a um site de publicidade.
Este sim é o problema por trás de todas as experiências de intercâmbio: muito tempo livre.
Até mais breve que o costume.
E história do dengue é mentira; quanto ao resto, "será real?" - foda-se toy, és a luva de veludo com que estico o dedo do meio para as pessoas que amo. Saudade

4 comentários:

Alexandre Cardana disse...

oxentji! 'ocê lembrou dji mim! ;) obrigadinho miguelão! e sim, vou continuar a orgasmar com os dedos enquanto percorro o teu boi gordo ;)

Rui Parente disse...

só te peço uma coisa,lembra-te da missão que te levou aí :) grande abraço
P.S: como é o jantar de natal?manadas?

Miguel Maria disse...

Caro Parente,
É uma missão épica. Primeiro preciso galvanizar e acho que estou indo no bom caminho. Falei com o Jopiu ontem, a ver se nos encontramos no skype.
Jantar de Natal, estarei no Ceará ou em Paraíba. Mas se conseguirem colocar um ecran gigante junto do quadro do chibanga, eu aparecerei por video conferencia.
Abraço,

Miguel

ardina disse...

afinal eles tinham razao ....
O v imperio existe... ja ha totil que saudad sr pereira tas bem Maria o futuro é agora nao sei se vens ca por isso que aluz do sol te apanhe sempre 1abração

ardina