sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Não me importava de ser careca de rabo de cavalo se fosse rico
É verdade, o milhão de gays que povoam o estado de são paulo mina as melhores festas da cidade e com uma pontualidade estranha por estes lados, todos os dias por volta das três da manhã, rola o bacanal. Tudo pega, de japa lésbica a negrinho transsexual, e pelo que me explicaram "é só preciso soltar-se, mano"(é verdade, o mano pegou tambem de estaca por cá).
Foi num ambiente desses que vivi um dos momentos que incorporará o melhor capitulo da minha vida. No Glória, a balada ia feroz e o dj misturava CSS, Justice e funk brasileiro como quem faz mandioca. Depois de combinar uma ida a Buenos Aires para ver um bélico boca junior-river plate, com um tipo colombiano, dançava com os poucos atributos que a minha terra natal me deu. Estava animadissimo porque tinha acabado de encontrar casa para ficar e a caipirinha com saké. Decidi experimentar os sofas da discoteca e claro, adormeci.
Acordo e os meus amigos e o meu casaco tinham desaparecido. Corro a discoteca toda, mas o casaco tinha mesmo fugido com o meu celular portugues. Senti-me obviamente traído por esses dois pedantes que me tinham deixado incomunicavel e de t-shirt. Saí da discoteca pior que estragado e meti-me num taxi. O cara topa que eu estava um farrapo e diz-me: "aí campeao, vou-te animar". Baixa a pala do sol que estava diante o lugar do pendura, onde eu choramingava, e surge um dvd player instalado alí. Um gadget do caraças como podem imaginar.
PLAY, e começa um filme porno agressivissimo a precisamente um palmo e meio de distancia da minha cara. Os gemidos vinham de toda a parte do carro porque o gajo tinha um soround do caraças e eu acabo por mandar uma gargalhada mais longa que o coito.
No final nao percebi a historia, porque aquilo já ia a meio quando ele pôs play, mas o telefone e o casaco já estavam bem enterrados debaixo do momento mais bizarro da minha vida.
Isto passou-se já à duas semanas e entretanto fui um fim de semana À praia mais proxima daqui - 1h40 de bus - Guarujá. Todos os paulistanos me disseram que era ruim e nao valia a pena. As minhas expectativas estavam numa praia entre carcavelos e matosinhos. O que se me apresenta, todavia, é a melhor praia em que alguma vez fui, com agua quentinha, tartarugas a passearem-se pela costa, um calor patético e um calçadão impecável. Isto no meio do inverno.
Nos proximos tempos espero contar-vos a minha ida ao rodeo - o equivalente à tourada para os brasileiros.
Pois, esqueci-me de falar sobre o título, mas é simples. A desigualdade no brasil é uma coisa tão gasta como o por do sol. Saio de minha casa todas as manhas e posso escolher o café da esquerda onde, por 2,5 reais(1,10 euros), bebo um expresso fraquinho; ou o café da direita e bebo um café em copo de cantina, sacado de um termo de alumínio e já com açucar, por 0,80 centavos (28centimos). Mas a quantidade de barcos desportivos, quartos a alugar por 800euros, casarões dignos do cribs (cercados por redes electrificadas) e restaurantes onde comes uma filete por 18euros, é de loucos. A ostentação dos poucos que têm muito é incomparavel com as galinhas da linha de cascais (ou da foz para quem é das tribos do norte onde os mouros nao chegaram). É então essa a grande ambição do povo brasileiro, parecer-se com o americano de miami, vestir um camisa branca grande e usar rabo de cavalo no fundo da careca. Daí que esta seja a cidade em que não se discutem modelos de carros mas de helicopteros. Nomeadamente já tenho um amigo cujo pai trocou agora de helicoptero.
Para quem gostar muito de mim, de tal forma que sinta que o blog nao chega, o meu unico contacto agora é oo551181848777. Com um amor do caraças por vocês e pelo Palmeiras, adeus.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Writers paulistas
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Ato terceiro: quando começam as aulas e levo a primeira facada
São Paulo é um tipo fudido. Pode-se imaginar a vida por cá pensando na vida em Portugal mas em World Class (para quem não jogava Fifa 98, é igual a dizer no nível mais alto de dificuldade). As horas de ponta põem os olhos de todo o mundo a arder com o pivete de alcool queimado - é o combustível mais usado por cá. Podes ver passar três autocarros que querias apanhar mas que já chegam à paragem com um passageiro de braço de fora, preso entre as portas. As chuvadas são tão repentinas e ferozes que te podem surpreender numa esplanada onde apanhavas sol à cinco minutos, deitando as mesas todas ao chão - aconteceu-me e acabei por fugir sem pagar. Os mendigos estão simplesmente deitados no chão a dormir, como quem apanha banhos de sol mas sem toalha da praia. E os bares de salsa só têm dançarinas que parece terem deixado o cóxis juntamente com o casaco, no bengaleiro à entrada. Arrumam qualquer europeu junto ao balcão das caipirinhas.
As aulas começaram e a coisa é bem relaxada - basta dizer que à dez anos se fumava nas salas de aula e havia um cinzeiro junto ao quadro, para quando o professor precisava de escrever alguma coisa.
Entretanto, o que me tem ocupado mais é a procura de quarto. Terça feira encontrei um, bem junto a Vila Madalena e decidi ir até lá a pé. Depois de uma hora a andar, que corresponderam a um centímetro do mapa do centro da cidade, chego numa casa com aspecto horrível. O tipo abre-me a porta, leva-me a uma espécie de galinheiro que chamava quarto e a primeira pergunta que faz é: Fuma maconha? - Respondo que esporadicamente, em festas, nunca comprei.
Responde o gajo aos 20 segundo de conversa:
- Então esqueça, não aceito consumidores de droga. É que imgine dois cães. Um recebe todas as festas e brincadeiras enquanto o outro simplesmente não existe para o dono. Quando você chega em casa, como é que eles reagem? Claro que só o cão que recebe atenção é que vem ter consigo.
O que acontece é que eu sou o cão mau [28 segundos].
- Então se é o cão mau, boa tarde [30 segundos].
Errei por São Paulo mais duas horas e com os pés desfeitos, a soar e a apanhar chuva, peguei um taxi para ir ver um quarto que já tinha combinado. Chego à rua e ligo ao gajo:
- Ena cara, esqueci de o avisar que veio ai uma "mina" (gaja) esta tarde e ficou coom o quarto.
Tinha acabado de gastar 10 euros de taxi para aquilo.
Assim levei a primeira facada, de fininho.
Entretanto hoje já vi um quarto bem legal e amanha tenho outro que soa bem, na calha.
A foto é a paisagem típica de SP. Arvores majestosas a rebentarem entre a maior massa de cimento, alcatrão e betão que já tive oportunidade de conhecer.
sábado, 2 de agosto de 2008
Ato segundo: onde conheço a balada e o melhor soundsystem de sempre

O problema de estar vivendo num hostel com uma catrefada de italianos e alguns franceses é que os italianos falam insuportavelmente alto e italianos e franceses adoram electro, camisas e clubs.
Foi numa de "taste the erasmus flavour" que acabei por ir jantar num boteco bem chunga com eles, por 2 euros, e de seguida ir para o The Edge - "best electro club in São Paulo on thursdays" - pagar 20euros não consumíveis. Lá dentro, gatas até dizer chega e sem merdas. Festinhas na cara, puxoes, risadas parvas e eu com 4 euros no bolso a ter de ficar bebedo para entrar no som. No banheiro, tem um segurança bem em cima dos urinóis que não te deixa descansado. Tive de mijar sempre como se estivesse a digitar o pin na caixa multibanco, e não passou muito disso.
Ontem, fui num soundsystem de cair o queixo. No lady hell, o Jamboree (blog de musica jamaicana de malta de são paulo) celebrou mais um aniversario e que balada terrivel que foi. Colunas a deitar pó por todo o lado, até ao tecto, e tudo analógico. Válvulas, estás a ver? Uns moleques dançando como só na jamaica e mais gatas com patilhas. É mesmo o único problema dessas festas. As skins usam uns dos cortes de cabelo mais feios que já vi. Diria pior que o gajo de UHF.
A festa ficava na baixa, e foi a primeira vez que la fui. Não tem nada tão frenético assim na Europa. Transito de morte às tres da manha, milhares de pessoas e o metro a abrir as 4h30 da manhã.
Aquela história do "vais para lá, vais-te perder" nunca achei que fizesse tanto sentido.
Fica ligado, e não esqueça de ler isto com os erres ingleses.