quinta-feira, 31 de julho de 2008

Ato primeiro: conseguir chegar e comer frango à passarinho

Este será então o meu blog para experienciarem um pouco de São Paulo.
Espero escrever pouco nele, sinal que terei mais que fazer. Prometo que não usarei frases feitas nem proverbios, seja dos tradicionais ou daqueles à Gato Fedorento. Gostava de arranjar um cantinho no blog para deixar boas palavras que aprendi mas não sei fazer isso. Limito-me a convidar-vos a ler este blog sempre com os erres à inglesa como no Sertão (ou como nos habituámos a ouvir o Murtosa falar). Vou dar este link tambem ao meu pai, por isso de vez em quando posso ser chato a descrever coisas como a talha dourada da igreja de São Paulo. Haverá poucas fotos porque aqui a vida é para duros e eu nunca dei sequer um cabelo por uma fotografia.

A viagem começa com uma ressaca digna dos melhores carnavais. Depois de cinco dias de festa furiosa em sines, a dormir em praias, parques de estacionamento e jardins, era dificil arranjar pior forma de arrancar para uma viagem de 30 horas. Fiz escala em Buenos Aires e até aí foi a viagem mais fudida por causa da dor de costas infernal (talvez resultantes daquelas cenas de porrada com o Baba - aproveito para lhe desejar uma boa viagem para Beijing). Depois dessa travessia a fazer lembrar 1500, as malas nao apareceram. Imaginei que tivessem perecido com escrobuto, mas hoje já me disseram que estão de boa saúde e as vão enviar.
Na viagem de taxi com um japones ao volante, conheci o estadio da Portuguesa e do Palmeiras, o transito mais impressionante do mundo e alguns segredos do scolari, que tinha andado no mesmo taxi em que eu estava,fazia um mes.
As motas passam assustadoramente rapido no meio do transito e perguntei se era costume haver acidentes, ao que ele respondeu com um sorrizinho na cara: "morre um ou dois por dia" - e acrescentou - "há muitos paneleiros em Portugal?". Parece que a luta entre taxistas e motards por aqui é pior que na Palestina.
Cheguei ao hostel onde estou agora e uma brasileira perguntou-me se a podia ajudar a desmontar um movel em casa dela. É lá que conheço a maconha brasileira e descubro que me metia na maior alhada do mes. Um puto armario que nao era Ikea, até ao tecto. Lá dentro, um triciclo travou-me a vontade do que quer que fosse. Foi ela que me falou da terra do boi gordo, lá para o interior, "onde o negócio é carne".
Depois de lhe desmontar o armário (isto soa "fucking cagalhoes") ela quis oferecer-me uma seia. Fomos num boteco beber uns chopps e ela pede um frango à passarinho. Aparece um frango inteiro e inteiramente frito, sem mais nada. Saímos a cambalear pela rua wisard, virámos na harmonia e fomos dormir na Girassol. Não caga estilo esta américa latina?
A balada ("festa rija") fica para amanhã. Espero que não se tenham esquecido de ler isto com os erres ingleses.

Amor